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EXOFTALMIA
O QUE É?

​A exoftalmia é a protrusão anormal de um ou de ambos os olhos. Nem todos os indivíduos com olhos protuberantes necessariamente apresentam exoftalmia.

Alguns simplesmente apresentam olhos proeminentes com mais parte branca visível do que o normal. O grau de protrusão pode ser mensurado no consultório de um oftalmologista com o auxílio de uma régua comum ou de um instrumento chamado exoftalmômetro.

Termos como “olhos proeminentes”, “olhos esbugalhados“, “olhos saídos”, “olhos saltados”, “olhos para fora”, “olhos protuberantes”, entre outros, são frequentemente utilizados pelos doentes para se referirem à proptose ou exoftalmia.

QUAIS AS CAUSAS?

Em alguns casos de doença da tireóide, especialmente quando é a doença de Graves, os tecidos da cavidade orbitária edemaciam (incham) e depósitos de material incomum empurram o globo ocular para frente.

Além disso, a exoftalmia pode ocorrer subitamente em decorrência de um sangramento atrás do olho ou de uma inflamação da órbita. A trombose do seio cavernoso causa edema (inchaço) devido ao refluxo sangüíneo através das veias que deixam o olho.

Tumores, benignos ou malignos, podem formar-se na órbita e empurrar o globo ocular para frente. O crescimento não usual de um tecido (pseudotumor) pode produzir exoftalmia em 2 a 3 semanas.

As malformações arteriovenosas (conexões anormais entre as artérias e veias) localizadas atrás do olho podem causar uma exoftalmia pulsátil, na qual o olho protrui e pulsa sincronicamente com os batimentos cardíacos.

No entanto, a dilatação de músculos, gordura e tecido na parte de trás do olho – que faz com que os olhos se projetem para frente – geralmente é um sintoma da doença de Graves, causada por uma superprodução do hormônio tiroxina. Em casos graves, a doença de Graves também pode causar visão dupla.

Olhos saltados ficam expostos ao ar; por isso, é difícil mantê-los lubrificados (causando olho seco). Quando a doença de Graves não é grave, a coisa mais importante é proporcionar alívio aos olhos. Experimentar o uso de lágrimas artificiais podem ajudar. Em casos mais graves, tratamento com remédios ou iodo radioativo podem ser indicados.

Em menor ocorrência, a exoftalmia pode também estar presente à nascença (exoftalmia congênita) afetando o bebê, sendo neste caso causado por glaucoma congênito ou problemas hereditários.

No caso da exoftalmia infantil ou na infância é muito importante que o diagnóstico do problema seja efetuado o mais precocemente possível de modo que não venha a ocorrer ambliopia.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?

O oftalmologista irá verificar a capacidade do paciente em movimentar os olhos e medir o grau de protusão do globo ocular. Pode solicitar a realização de exames auxiliares como a tomografia computadorizada (TC), a ressonância magnética (RM), tonometria (aferição da pressão ocular), campimetria, etc.

No caso da doença de Graves, o médico endocrinologista pode recorrer a vários outros exames e análises para o diagnóstico da doença.

EXOFTALMIA TEM CURA?

Como vimos, a doença pode ter diversas causas subjacentes, podendo cada uma delas diferir bastante quanto à sua gravidade e capacidade de tratar. É essencial identificar o fator desencadeante da exoftalmia e realizar um tratamento multidisciplinar, quando necessário, para garantir maior eficácia do tratamento.

TRATAMENTO

O tratamento da exoftalmia depende da causa. Quando o problema é uma malformação arteriovenosa, a cirurgia pode ser necessária. Quando existe um hipertireoidismo (produção excessiva de hormônio tireoidiano), a protrusão do globo ocular pode desaparecer com o controle do hipertireoidismo.

Ocasionalmente, no entanto, a exoftalmia persiste mesmo após o controle da doença tireoidiana.

Quando existe uma compressão do nervo óptico, é necessária a administração de corticosteróides orais, a radioterapia local ou a cirurgia para eliminar a compressão.

Quando as pálpebras não recobrem adequadamente o globo ocular protruso, a cirurgia palpebral pode ser necessária para ajudar a proteger a córnea contra o ressecamento e a infecção. Os corticosteróides podem ser úteis no tratamento do pseudotumor e da inflamação.

Quando os tumores ameaçam o olho por empurrá-lo para frente, pode ser necessária a sua remoção cirúrgica.